A contribuição da trilha musical na construção da narrativa de Interstellar
DOI:
https://doi.org/10.52930/mt.v10i2.353Resumo
Neste estudo sobre o filme Interstellar, dirigido por Christopher Nolan, mostramos como uma singela ideia musical proposta por Hans Zimmer – um segmento ascendente e descendente da escala diatônica – serviu de material icônico, não só para o desenvolvimento dos temas musicais da trilha sonora, mas também como metáfora para a própria narrativa fílmica. O enredo do filme é decalcado no modelo clássico da Jornada do Herói, definido por Joseph Campbell com base na Odisseia de Homero. Numa breve análise, demostramos como sua estrutura segue com precisão o paradigma da Jornada do Herói, cumprindo fielmente as etapas necessárias da Partida, da Iniciação e do Retorno. Mostramos, a seguir, como o Tema Principal da música do filme introduz o motivo nuclear que é subsequentemente elaborado em diversas transformações de estilo minimalista, que formam cinco novos temas recorrentes, que nomeamos Temas de Cooper e Murph, Tema do Fantasma, Tema da Gravidade e Tema do Espaço. Reconhecemos que uma parte fundamental da eficiência da trilha sonora depende da sonoridade quase onipresente de um órgão de tubos, em contraste com o lugar comum em filmes de ficção científica, que é usar sons eletrônicos sintéticos. Analisamos ainda as relações intertextuais que o filme elabora, não apenas no roteiro, mas também na trilha sonora que faz referências tanto a filmes com música minimalista, como Koyaanisqatsi, como a filmes que usam materiais pré-existentes, como 2001: uma odisseia no espaço de Kubrick. Todavia Interstellar usa uma estratégia composicional diferente desses modelos porque recupera a técnica da ópera wagneriana de elaborar um discurso musical unificado a partir de leitmotivs associados a personagens e conceitos.