A contribuição da trilha musical na construção da narrativa de Interstellar

Autores

  • Juliano de Oliveira Universidade Estadual do Paraná
  • Rodolfo Coelho de Souza Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.52930/mt.v10i2.353

Resumo

Neste estudo sobre o filme Interstellar, dirigido por Christopher Nolan, mostramos como uma singela ideia musical proposta por Hans Zimmer – um segmento ascendente e descendente da escala diatônica – serviu de material icônico, não só para o desenvolvimento dos temas musicais da trilha sonora, mas também como metáfora para a própria narrativa fílmica. O enredo do filme é decalcado no modelo clássico da Jornada do Herói, definido por Joseph Campbell com base na Odisseia de Homero. Numa breve análise, demostramos como sua estrutura segue com precisão o paradigma da Jornada do Herói, cumprindo fielmente as etapas necessárias da Partida, da Iniciação e do Retorno. Mostramos, a seguir, como o Tema Principal da música do filme introduz o motivo nuclear que é subsequentemente elaborado em diversas transformações de estilo minimalista, que formam cinco novos temas recorrentes, que nomeamos Temas de Cooper e Murph, Tema do Fantasma, Tema da Gravidade e Tema do Espaço. Reconhecemos que uma parte fundamental da eficiência da trilha sonora depende da sonoridade quase onipresente de um órgão de tubos, em contraste com o lugar comum em filmes de ficção científica, que é usar sons eletrônicos sintéticos. Analisamos ainda as relações intertextuais que o filme elabora, não apenas no roteiro, mas também na trilha sonora que faz referências tanto a filmes com música minimalista, como Koyaanisqatsi, como a filmes que usam materiais pré-existentes, como 2001: uma odisseia no espaço de Kubrick. Todavia Interstellar usa uma estratégia composicional diferente desses modelos porque recupera a técnica da ópera wagneriana de elaborar um discurso musical unificado a partir de leitmotivs associados a personagens e conceitos. 

Biografia do Autor

Juliano de Oliveira, Universidade Estadual do Paraná

Juliano de Oliveira é graduado (2010) em música pela ECA/USP, mestre (2012) e doutor (2017) em música pela mesma instituição, na área Processos de Criação Musical, com tese indicada ao Prêmio USP e Prêmio Capes. É autor do livro "A Significação na Música de Cinema", lançado em 2019 pela Paco Editorial, e do método para piano "10 cantigas populares para piano com acompanhamento de orquestra em MP3", lançado em e-book em 2022. É integrante do Centro de Estudos em Música e Mídia (MusiMid) desde 2011. Produziu, entre 2011 e 2013, juntamente com o prof. Dr. Marcos Câmara de Castro, o programa "Clássicos em Pauta", veiculado na Rádio USP de Ribeirão Preto. Atua como colunista no programa Sala de Música da Rádio CBN Ribeirão Preto. Foi professor do curso superior de música da Universidade de Santos (UNISANTOS) entre 2013 e 2015. Atuou como pianista e professor de teoria junto ao coral da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto entre 2015 e 2023. Atua, desde abril de 2024, como professor na Universidade Estadual do Paraná - UNESPAR nas disciplinas de composição de trilha sonora, composição musical, contraponto e estágio. Suas principais atividades de pesquisa envolvem trilha sonora, música eletroacústica e significação musical.

Rodolfo Coelho de Souza, Universidade de São Paulo

Rodolfo Coelho de Souza (rcoelho@usp.br) é Professor Titular Sênior do Departamento de Música da Universidade de São Paulo, onde ministra disciplinas nas áreas de teoria, análise e tecnologia da música. Fez a graduação na Escola Politécnica da USP, mestrado na Escola de Comunicações e Artes da USP e doutorado na University of Texas at Austin. Foi editor do periódico Musica Theorica e presidente da TeMA - Associação Brasileira de Teoria e Análise, em dois mandatos. Suas pesquisas se dedicam à teoria e análise de obras de compositores brasileiros dos séculos XIX à atualidade.

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Publicado

2025-12-25