Analisando Diálogo de Ruptura de Gilberto Mendes sob múltiplas perspectivas
DOI:
https://doi.org/10.52930/mt.v11i1.352Resumo
O principal objetivo deste artigo é desvendar a complexidade e a polissemia da peça Diálogo de Ruptura, que faz parte do tríptico para piano intitulado Três Contos de Cortázar (1985) de Gilberto Mendes, usando uma metodologia analítica multifacetada que é conhecida informalmente como Princípio de Rashomon. Como objetivos adicionais, buscamos explorar a relação da estética da obra com o Pós-Minimalismo, destacando a presença de procedimentos intertextuais e a afinidade com a “Estética da Impureza” proposta por Scarpetta. Portanto, o foco deste estudo situa-se na interseção entre análise musical e estudos intertextuais, buscando contribuir para a melhor compreensão da terceira fase composicional Gilberto Mendes. As cinco abordagens analíticas usadas revelaram as ambiguidades da harmonia tonal da peça, as estratégias de repetição minimalistas e pós-minimalistas, os princípios de coesão estrutural segundo as teorias dos conjuntos e dos intervalos de conjuntos (pcords), e ainda a existência de procedimentos intertextuais. Concluímos que Diálogo de Ruptura é uma síntese paradoxal entre tradição e vanguarda, em que repetições minimalistas coexistem com melodias expressivas e harmonias impressionistas, analisadas segundo perspectivas diversas que confirmaram a conexão de Gilberto Mendes com poéticas transculturais e híbridas.