Ampliando os cânones

Por uma diversidade metodológica dos cursos de História da Música Ocidental e do Brasil

Autores

  • Pedro Vaccari Universidade Estadual Paulista

DOI:

https://doi.org/10.52930/mt.v9i1.286

Resumo

Proponho uma revisão da literatura sobre musicologia histórica, suas principais abordagens e desdobramentos – musicologia sistemática, musicologia comparada – a partir do final do século XIX, com Adler, visando a um aprimoramento dos cursos de História da Música Ocidental e História da Música Brasileira. Utilizando a metodologia amparada em Carl Dahlhaus, procurei contemplar a historiografia musical a partir de seus paradigmas, e, mais adiante, a historiografia musical brasileira, tratando, a seguir, da epistemologia da História da Música Ocidental, traçando um quadro mais inclusivo e descentralizado da disciplina. Buscando um panorama menos etnocêntrico, inspirado na metodologia etnomusicológica, pudemos abordar as diferentes passagens da História não como estanques, porém como eventos que se sucedem através de causa e efeito, de acordo com Leandro Gaertner. Ao questionar os cânones da Música Ocidental e a cultura conservatorial, não se objetiva uma eliminação desses paradigmas, mas apenas uma maior diversificação dos temas e compositores abordados, ampliando a lista dos cânones, incluindo autoras mulheres e negros, periféricos e orientais. Na disciplina que ministrei como docente, verificou-se que os resultados foram que o interesse e comprometimento dos discentes com a disciplina cresceu com o incremento de autores abordados e metodologias empregadas, inclusive das Ciências Sociais. Conclui-se que ao serem selecionados compositores e obras representativos de diversos períodos, etnias, funções – não apenas a estética ocidental tradicional – para compor o cânone da História da Música Ocidental e Brasileira, os discentes sentiram-se mais dispostos a se debruçar sobre o estudo e as abordagens da disciplina, tratada não de forma linear e evolucionista, mas de modo abrangente e holístico.

Biografia do Autor

Pedro Vaccari, Universidade Estadual Paulista

Bacharel em Canto (UNESP), Mestre em Performance (UNESP) e Doutor em Musicologia pela UNESP. Está terminando seu Pós-Doutorado pela ECA-USP, em Música, estudando a Modinha como gênero híbrido luso-brasileiro e suas intersecções na contemporaneidade. Publicou, em 2023, seu livro Beijo a mão que me condena: Resistência e embranquecimento histórico do Padre José Maurício Nunes Garcia, pela EDUEL. Entre seus artigos publicados estão: Revista Música (USP) – 2018, Revista Orfeu (UDESC) – 2019 e 2022, Revista de Etnomusicologia da Turquia – 2019, Revista Música em Contexto (UNB) – 2019, Revista Ictus (UFBA) – 2020, Revista Internacional em Língua Portuguesa de Portugal – 2020, Revista da Tulha (USP) – 2020, Revista Nava (UFJF) – 2021, Revista Espaço Acadêmico (UEM) – 2022, Revista Labor Histórico (UFRJ) – 2022, Revista Vórtex (UNESPAR) – 2023 e Revista Música Hodie (no prelo).

Em 2023 lecionou a disciplina "A Canção de Câmara Brasileira: pesquisa e interpretação" para a graduação do CMU-ECA/USP, e em 2024 foi aprovado em concurso para lecionar a disciplina "Prática Coral II (Regência)" na ETEC de Artes de São Paulo.  

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Publicado

2024-06-30

Edição

Seção

Artigos