Relações cromáticas no repertório renascentista inglês tardio
considerações teóricas complementares
DOI:
https://doi.org/10.52930/mt.v10i2.357Resumo
Este artigo dá continuidade ao estudo teórico das relações cromáticas na polifonia inglesa do final do Renascimento. O artigo refina definições com base na exploração semiótico-histórica de Eleanor Chan (2024) e no aparato analítico de Eduardo Solá Chagas Lima (2025). O artigo expande as classificações de relação “verdadeira” (TR) e relação falsa (FR) situando-as dentro de uma taxonomia mais ampla de relações cromáticas. Por meio de análises detalhadas das relações cromáticas em obras de William Byrd, o artigo identifica componentes locais e globais que moldam o cromatismo. Componentes locais incluem a interação de musica ficta notada e performática, o uso intencional de TR/FR e a concomitância imediata/retardada em falsas relações síncronas (SFR). Aspectos globais incluem a participação de tons harmônicos/não-harmonônicos e relações cromáticas enquadradas (framed) e sobrepostas. Este estudo também explora progressões harmônicas modeladas com princípios baseados no Tonnetz, o que revela a interação entre o movimento cromático melódico e câmbios triádicos no contraponto modal. Ao estender e adaptar tanto as tradições retóricas renascentistas quanto as ferramentas analíticas neo-Riemannianas, o artigo demonstra que as relações cromáticas não são meramente dissonâncias ornamentais, mas sim dispositivos expressivos integrais com funções estruturais e retóricas. Embora baseadas no repertório inglês, essas discussões sugerem uma aplicação mais ampla dessa metodologia a outros repertórios e tradições, ressaltando a necessidade de abordagens teóricas historicamente sensíveis, porém flexíveis, ao cromatismo renascentista.