Teoria musical como prática

tradições didáticas entre Nápoles e Paris nos séculos XVIII e XIX

Autores

  • Roberto Cornacchioni Alegre Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.52930/mt.v10i2.351

Resumo

Durante muitos anos, prevaleceu a perspectiva de Carl Dahlhaus: após o século XVIII, a teoria musical italiana — excetuando-se os escritos especulativos de Giuseppe Tartini e os tratados eruditos do Padre Martini — não teria exercido impacto algum além dos Alpes. No entanto, tal afirmação não encontra respaldo no vasto corpo de fontes relacionadas ao ensino da composição musical no século XIX, sobretudo na França (solfège, accompagnement, harmonie pratique, contrepoint e marches harmoniques). Este artigo oferece uma visão geral do ensino do contraponto prático (solfejo, partimento e contraponto escrito) na Nápoles do século XVIII, e em seguida traça a sua influência na formação musical profissional da Paris do século XIX — principalmente no Conservatório, mas também nas Maîtrises. A partir de uma variedade de fontes primárias, buscamos demonstrar que o que hoje denominamos “disciplinas teóricas” era, na realidade, parte integrante do domínio da prática musical. Além disso, argumentamos que, apesar dos desafios que tais fontes possam apresentar aos estudiosos contemporâneos, o seu estudo pode oferecer valiosas contribuições para a pedagogia musical atual.

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Publicado

2025-12-25