Teorizando para além do cânone

Tonalidade, função harmônica e prolongamento

Autores

  • Gabriel Navia Universidade Federal da Integração Latino-Americana
  • Gabriel Venegas-Carro Universidad de Costa Rica

DOI:

https://doi.org/10.52930/mt.v9i1.309

Resumo

Este artigo revisita os conceitos de tonalidade, função harmônica e prolongamento a partir de um olhar crítico sobre a disciplina da teoria e a análise musical, mais especificamente, sobre o caráter colonial da teoria tonal institucionalizada no ocidente e seu cânone. Na primeira parte do artigo, concilia-se diferentes concepções de função harmônica com uma compreensão espaço-temporal da tonalidade na qual se manifestam propriedades paradigmáticas e sintagmáticas. Sobre a base desta perspectiva bidimensional da função harmônica, propõe-se um modelo analítico que se distancia do hábito hegemônico de se priorizar sintaticamente a dominante, colocando em pé de igualdade forças plagais e autênticas. Esta redistribuição de forças tonais dá suporte à sistematização de um catálogo ampliado de fórmulas cadenciais, exemplificado com um repertório que vai desde o rock argentino e a MPB até a música clássica. Na segunda parte do artigo, propõe-se um conjunto de técnicas de elaboração sintagmática que tem como objetivo liberar o conceito de prolongamento da presença de uma malha contrapontística complexa. Ao posicionarmos em um espectro único práticas tonais que têm se mantido afastadas epistemológica e ideologicamente, visa-se dar um lugar a práticas tonais subalternizadas pela teoria harmônica institucionalizada e o cânone centro-europeu. O artigo conclui com uma análise estrutural da canção Dindi de Tom Jobim.

Biografia do Autor

Gabriel Navia, Universidade Federal da Integração Latino-Americana

Gabriel Navia é doutor em teoria e análise musical pela University of Arizona e mestre em performance musical (violão) pela mesma universidade. Durante o seu doutorado, dedicou-se ao estudo da forma sonata na música de Franz Schubert e, atualmente, dedica-se ao estudo analítico de repertórios tonais diversos dos séculos XIX–XXI e da forma de alguns gêneros da música popular latino-americana.

Gabriel Navia tem apresentado trabalhos em congressos nacionais e internacionais, incluindo a EuroMAC 9 (França, 2017), a 17th IASPM Conference (Alemanha, 2017), o III Congresso da TeMA (Rio de Janeiro, 2019) e a 44th e 45th SMT Conference (EUA, 2021; 2022). Suas mais recentes publicações apareceram em Musica Theorica (2019; 2020), The Sage International Encyclopedia of Music and Culture (2019), Revista Vórtex (2020) e The Routledge Companion to Music Theory Pedagogy (2020). 

De 2007 a 2013, Gabriel Navia foi professor assistente nos cursos de violão e de teoria musical na University of Arizona; de 2013 a 2014, foi professor substituto na Universidade Federal de Uberlândia; e, desde 2014 atua como professor de violão e disciplinas teóricas na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA).

Gabriel é o editor-chefe da revista Musica Theorica, publicação da Associação Brasileira de Teoria e Análise Musical (TeMA). 

Gabriel Venegas-Carro, Universidad de Costa Rica

Gabriel Venegas possui doutorado (PhD, 2017) e mestrado (MM, 2013) em Teoria Musical pela University of Arizona, e bacharelado em Performance em Piano pela Universidad de Costa Rica (2006 e 2009). Tem apresentado suas pesquisas em congressos nos Estados Unidos, América do Sul, Caribe e Europa. Professor efetivo e pesquisador da Universidade da Costa Rica, Gabriel também é membro do conselho editorial das revistas acadêmicas Indiana Theory Review (Estados Unidos), Revista Escena (Costa Rica) e Musica Theorica (Brasil), membro do conselho consultivo da revista Súmula (Espanha), fundador do coletivo latino-americano de teoria e análise musical Saberes Armónicos e tecladista da banda de rock centro-americano Flor de Doppler.

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Publicado

2024-06-30

Edição

Seção

Simpósio Teórico-Analítico